sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

As chinelas da Maria do Socorro



Elas não foram feitas para andarem,
Mas para ficarem paradas e protegerem
Os pés já calejados...
De uma pessoa que estava muito cansada e inferma,
Eram apenas o alívio de muitas dores,
O conforto dela.
 (...)
Então, elas realizaram sua missão, agora se sentiam tão sozinhas,
Esquecidas num canto qualquer do quarto.
Nesse abandono só lhes restavam uma chance de vida útil,
A de serem herdadas por alguém que lhes dessem mais vida.
E sentindo-se largadas no silêncio daquela  tristeza profunda,
 Naquele ambiente onde a perda era o sentimento mais profundo,
Elas  estavam sempre a esperar por uma chance de esperança.
Até que um dia apareceu uma herdeira,
Foi como um sopro de vida para elas.
Que não foram feitas para não andarem,
A partir de então, passaram a conhecer o mundo,
Acompanhadas por alguém cheia de vida,
Alegria, determinação, uma guerreira.
Assim, conheceram, PR...CE...SP...MT...MS...
Agora, vivem na estrada e ainda pretendem levar conforto e alegria há muitos
Lugares, experimentar sempre o gostinho de liberdade que os pés
Firmes e determinadas desse pessoa lhes proporcionam e assim continuarem na certeza
De produto que produz não só para o que foi feito,
Mas para ir além das fronteiras estabelecidas.
Para que tenha vida é preciso servir à vida.
E hoje, 24/12/12,  vão selar o seu caminho, reviver o passado dos dias nublados,
Elas vão retornar a sua antiga morada,
Sob os cuidados de sua dona, percorrerão os caminhos antes traçados,
Na tentativa de dias melhores, de levar apenas alegria no seu caminhar.
Agora as confortáveis chinelas têm muitas histórias vividas e percorridas,
E como disse sua herdeira, __Elas não foram feitas para andarem, foram feitas para confortarem os pés de minha mãe que estava no fim de sua vida,
Apenas teriam que seguir o trajeto da cama ao banheiro.
E foi assim,
Fizeram isso por um curto período, até que minha mãe se foi...
Então me foram dadas como herança, a partir de então ganharam o estradão em meus pés...
Por aonde quer que eu vá, elas sempre estão comigo,
Ainda teremos muitos a caminhar juntas,
Eu e as antigas chinelas da mamãe...

                    Cida.






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